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O papel do acolhimento emocional no processo de aprendizagem

Atualizado: 23 de set. de 2025


Aprender vai muito além de memorizar conteúdos ou resolver exercícios. A ciência já mostrou que fatores emocionais têm impacto decisivo no desempenho escolar. Um estudo de Immordino-Yang e Damasio (2007), publicado na revista Mind, Brain, and Education, demonstrou que emoções positivas ampliam a atenção e a memória, enquanto sentimentos de medo ou ansiedade reduzem significativamente a capacidade de aprender. É por isso que o acolhimento emocional deve ser visto como parte essencial da prática pedagógica.


A psicóloga ABA, Viviane Fernandes Sena Castro, que atua há sete anos com desenvolvimento infantil, reforça que o vínculo entre professor e aluno é a base para todo o processo educativo. “Costumo dizer que o vínculo antecede a técnica, sem ele é impossível aplicarmos a técnica de forma eficiente. O vínculo molda a forma como utilizamos a técnica. Dessa forma, o vínculo entre professor e aluno é essencial para melhor adaptação e desempenho de ambos.”


Esse vínculo, aliado ao sentimento de pertencimento, é o que permite que os alunos se sintam seguros e confiantes no ambiente escolar. “Pertencer a um ambiente traz o sentimento de conexão, ser aceito e valorizado. Quando o aluno se sente parte, desperta nele um sentimento de segurança e apoio. Assim, ele consegue ser ele mesmo, expressar e demonstrar seu conhecimento sem medo de errar ou de ser punido”, explica Viviane.


A psicopedagoga, Denize Ribeiro Porta Cardoso, com mais de 40 anos de experiência na educação e 22 anos em consultório, complementa que o afeto é o caminho para que a aprendizagem de fato aconteça. “A ciência já nos provou que a aprendizagem só acontece quando existe afeto. E não falo apenas de abraços ou gestos carinhosos, mas de atitudes como olhar nos olhos e dizer ‘eu acredito que você consegue’. Quando o aluno percebe esse cuidado, ele se envolve com os conteúdos, sente-se participante e importante.”


Um ponto de convergência entre as duas especialistas é a importância da autoestima. O relatório da OCDE (2019) mostra que alunos que se sentem integrados ao ambiente escolar apresentam melhor desempenho em matemática e leitura. Denize reforça esse dado a partir da sua vivência clínica: “Todos os alunos com dificuldades de aprendizagem que recebo chegam com a autoestima comprometida. Muitos dizem: ‘sou burro, não consigo aprender’. Quando a criança tem baixa autoestima, dificilmente levanta a mão para perguntar ou expor suas dúvidas. Mas se ela acredita que é capaz, se sente parte e confia em si, encontra forças internas para enfrentar os desafios.”


A construção desse ambiente afetivo, no entanto, exige práticas pedagógicas concretas. Viviane destaca a importância de ações simples, como conhecer os alunos, oferecer escuta ativa e aproximar a escola das famílias. Já Denize chama a atenção para o uso de recursos variados e concretos: “Não basta o slide ou a explicação na lousa. O concreto é fundamental. Vai falar de fração? Leve uma pizza, um bolo, algo que a criança possa tocar. Nós aprendemos melhor pelos sentidos do que apenas ouvindo.”


Além da prática em sala de aula, ambas ressaltam a relevância do trabalho em equipe. Denize aponta que o suporte emocional e pedagógico não pode ser responsabilidade exclusiva do professor: “É imprescindível que exista a parceria entre psicopedagogo, escola e família. O professor é o primeiro a observar as dificuldades, mas sozinho não dá conta. O trabalho só flui quando há troca constante de informações e metas claras para cada estudante.”


Viviane concorda e reforça que o suporte emocional é a base para aprendizagens mais significativas: “Ele cria condições para que a criança esteja mais motivada e interessada, despertando curiosidade pela aprendizagem. Além disso, fortalece a autoestima, reduz a ansiedade e ajuda na consolidação da memória.”


Tanto pela perspectiva científica quanto pela prática das especialistas, fica claro que o acolhimento emocional não é acessório, mas central no processo de aprendizagem. A pesquisa de Immordino-Yang e Damasio (2007) já havia demonstrado que os circuitos emocionais e cognitivos no cérebro são inseparáveis, o que explica por que crianças mais seguras e apoiadas emocionalmente têm maior facilidade em memorizar, compreender e aplicar conteúdos. Da mesma forma, o relatório da OCDE (2019) reforça que o bem-estar escolar está diretamente associado a melhores resultados em leitura e matemática, evidenciando que políticas públicas e práticas pedagógicas que priorizem o ambiente acolhedor não são apenas desejáveis, mas necessárias.


Na prática cotidiana, isso se traduz em ações de professores, famílias e instituições escolares que vão muito além da sala de aula. Denize enfatiza que o trabalho em equipe é imprescindível: “Não existe desenvolvimento eficaz quando se trabalha de forma isolada. Escola, família e profissionais precisam caminhar juntos, estabelecendo metas claras, acompanhando progressos e ajustando estratégias conforme as necessidades do aluno.” Viviane concorda e acrescenta que esse suporte emocional é o que garante que a aprendizagem se torne significativa e duradoura: “Ele cria condições para que a criança esteja mais motivada e interessada, fortalece a autoestima, reduz a ansiedade e consolida a memória.”


O desafio, portanto, é entender que ensinar não se resume a transmitir conteúdos, mas a criar condições para que cada estudante encontre sentido no que aprende. É nesse espaço de segurança, afeto e confiança que se formam não apenas bons alunos, mas indivíduos resilientes, criativos e capazes de enfrentar os desafios da vida em sociedade.


Momento leitura com a professora Thaís Batista. Foto: Divulgação
Momento leitura com a professora Thaís Batista. Foto: Divulgação

 
 
 

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